quarta-feira, 12 de maio de 2010

Vó Geraldina e o Galo da espora de ouro.

Vó Geraldina e o Galo da espora de ouro.

A história que vou contar agora, aconteceu quando minha avó Geraldina era apenas uma mocinha. Mocinha brava e essa é uma característica que está presente até hoje. Não encaro como um defeito, pois com pessoas assim, espantam as que não tem boa intenção .
Morava em um sítio, onde também morava um galo, que possuia um galinheiro, com muitas galinhas. Só que o saudoso ficava solto pelo sítio. Então tentando pensar com a cabeça de um galo (se é que consigo), tudo lá pertencia a ele.
Era um galo bonito, com enormes esporas que quase cintilavam ao sol. Bravo tanto quanto a minha avó. Valente e não temia o inimigo, ou melhor, qualquer rival.
O cotidiano de trabalho no sítio acontecia assim:
Pegar água na bica com uso de baldes.
Varrer todo o quintal e a casa com vassouras feitas em casa.
Pegar madeira para o fogão.
Ir para a roça, plantar, limpar o terreno e colher.
Separar a colheita e deixar em três montes.
Fazer o café matinal, almoço e jantar.
Socar o café, milho e o arroz.
E acredito que tinha mais coisas, só que minha memória está no que ela me conta.
Quando minha avó ou qualquer membro da família passava pelo galo soberbo, ele não tinha dúvidas, metia a espora!
Conta que era um galo tinhoso, que pensava e calculava seus golpes. Esperava a volta das meninas, onde estavam com o balde no ombro, com o peso da água, então atacava sem dó.
Muitas vezes minha avó, vinha já com um bagaço de cana dobrado ao meio e sua resposta as esporas era quase a altura.
Um dia comum, ela socava o arroz e observava que o galo deixava minha bisavó na mira. Sim, pensando qual seria seu melhor ataque do dia. E não deu outra, esporada na perna da bisa que tirou sangue. Minha avó se aproximou e a esporada veio também no seu braço, que também tirou sangue. A revolta da minha avó foi tanta que pegou uma vara e saiu atrás do galo. Subiram morro, desceram morro, correram os quatro cantos do sítio e essa corrida maluca teve duração de uma hora. Até que o galo se deu por vencido e entrou para seu galinheiro julgando estar seguro em seu doce lar. Engano total, pegou o bicho que já estava de bico aberto de tanto correr e bateu, esfregou o bico no seu sangue que escorria do braço, deu vários tapas na cara do bicho e enfim a luta corporal parou antes que isso acarretasse em morte.
Desde esse dia o bicho tomou jeito, pelo menos perto da minha avó. Quando amanhecia cantava bonito, mas bastava minha avó colocar a cara p/ fora da porta que o canto vira grito e o coitado saia correndo e se escondia durante um bom tempo.
E assim a rotina de trabalho do galo acontecia assim:
Cantar pela manhã.
Gritar e fugir da minha avó.
Cuidar do seu galinheiro.
Procriar.
Cantar no almoço e no fim do dia.

ESPORA
O galo conta com esporas, uma espécie de unha localizada na parte posterior das patas. Elas são usadas como arma de ataque, durante, por exemplo, a disputa por uma fêmea

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